É difícil definir no tempo o momento exacto da fundação do movimento campista, no entanto sabemos que já em 1875, o escritor Ramalho Ortigão recebera uma carta remetida por outro escritor, Eça de Queiróz, dirigida de Newcastle onde o informava da remessa duma volumosa encomenda de material e vestuário campista a seu pedido, desconhecendo-se quem veio a utilizá-lo. Terão sido estes os protagonistas do lançamento das bases para o movimento campista em Portugal?
Porém, e já sem margem de erro, podemos apontar 1908 como o ano da realização do primeiro grande acampamento nacional: a Jornada Inaugural do Campismo Português. Instalado na Serra do Gerês (Chã das Abrótegas), foi organizado pela Ilustração Portuguesa de Lisboa em apoio da excursão venatória com o intuito de apurar, definitivamente, o desaparecimento da cabra geresiana. É também no norte do país, mais concretamente no Porto, que em 1932 é fundado o Grupo Excursionista Ar Livre (G.E.A.L.) para a prática de campismo fixo e viagens de turismo. Outros agrupamentos foram surgindo a ritmo mais ou menos constante, mantendo grande actividade no âmbito do campismo desportivo, acampamentos de férias, digressões na montanha, marchas livres e reguladas, etc. Anos mais tarde (1936), o etnógrafo Elmano da Cunha e Costa, percorreu em Angola 280.000 quilómetros com uma “roulotte” fabricada em Portugal, para estudar em detalhe as 58 tribos desta ex-colónia.